Educar Ensinar Cuidar

Educar Ensinar Cuidar

Desafiando o presente

Já dizia o filósofo e poeta Kalil Gibran, nossos filhos e filhas não são nossos, vem através de nós, mas não de nós. Eles e Elas são filhos e filhas do mundo. Então quem seremos nós nesta relação?! Seremos exemplo?! Seremos um jeito de ser?! Seremos referência?! Nos dias atuais criar, educar e dar boas referências aos nossos filhos e filhas tornou-se um grande desafio.

No Eclesiastes -Bíblia Católica- há uma passagem da qual gostamos muito de refletir: há tempo para todas as coisas debaixo dos céus; tempo para odiar e tempo para amar; tempo para plantar e tempo para colher; tempo para chorar e tempo para sorrir. O tempo, senhor de todos os nossos destinos também ensina que há tempo para a infância, há tempo para crescer.

Uma das inquietações que refletimos constantemente repousa em buscar sentir e compreender de que modo estamos marcando nossos alunos, filhos; qual nossa contribuição nesse processo de tensão e impermanência presentes no ato constante e vívido que é educar-ensinar. Qual nosso verdadeiro papel enquanto pais e mães, educadores, cuidadores, enfim, quem somos nós nesta história?!

Educar é um verbo que vem do latim e significa tirar de dentro (e = de dentro, ducare= tirar de), ou seja, tirar de dentro  do Ser o melhor que há de sentimentos, habilidades, dons. Carecemos todos, filhos e filhas que são pais; filhos e filhas que são ainda filhos, de referências, de espaços de educar-ensinar bons exemplos, de segurança e de amor. Estamos desejosos do tempo de se escutar mais, de se cuidar e de cuidar do outro.

Há lares que causam medo, há lares que são casas onde as pessoas da mesma família vivem quase que em mundos separados – os filhos com suas televisões e videogames. Os pais com suas preocupações e compromissos, isto é, famílias de pessoas solitárias que pouco sabem um do outro.

Urge o tempo de parar e dar tempo para o tempo passar. Um tempo que seja de celebrar, de unir, de encontro, de escuta, de contato, de olhar e se olhar – um tempo de amar!

Maria Cândida Moraes em seu livro Educar na biologia do amor e da solidariedade utiliza uma expressão que gostamos muito – sentipensar. Sentipensar vem de uma compreensão de mundo e do modo como a Comunidade Morada da Paz se relaciona com as pessoas, com a vida: uma inteligência intuitiva diante dos desafios da vida; uma escuta inclusiva; uma ênfase no cuidado do ser.

Entendemos que todos nós, seres humanos, queremos ser amados e amar, cuidados e cuidar, pois “o homem não é uma ilha isolada em si mesmo” e não vive só, mas encontra-se e se reconhece a partir das relações que estabelece com o outro. E como estabelecemos estas relações? E, como eu cuido, como eu zelo, como eu ensino? São muitas as perguntas que nos fazemos quando o assunto é educar-ensinar, porque queiramos ou não, todos nós educamos alguém e todos nós estamos em processo de aprendizado constante. Nossos filhos e alunos nos ensinam também, é uma troca diária. Adultos e crianças, pais e filhos, alunos e professores, todos estamos aprendendo.

Assim, não há culpas, mas humildade para reconhecer que pais e professores podem errar e acertar; que talvez não sejam os heróis que os filhos e alunos desejam, porém persistentes no ato de aprender e teimosos em querer acertar para educar e ensinar o melhor – uma vez que estamos nos educando e aprendendo também. E lembremos sempre que Somos seres inacabados e estamos sempre em busca de algo a aprender e, ensinar.

Comunidade Morada da Paz

Um jeito de Ser e Viver

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