O frevo é dança e música

Relato de Victor Arruda sobre sua vivência na CoMPaz

Namastê!

Olá, sou Victor Arruda, do Recife. Sou servidor do Tribunal Regional do Trabalho e um apaixonado pela cultura da minha terra e, em especial, pelo frevo! O frevo é dança e música. Dança que veio dos capoeiristas. Música que veio das antigas bandas militares, tudo junto e misturado nos blocos de carnaval pelas ruas do Recife. Sou passista com muito orgulho e adoro dançar essa dança maravilhosa! Carnaval, então? Bah, a melhor festa do ano!

Tive a alegria de ser convidado pela minha amiga Daisy Reis para dar uma oficina de frevo na Comunidade Quilombola Morada da Paz. Eu nunca tinha conhecido e não tinha ideia do caráter profundo do termo comunidade para a Morada. Foi uma experiência fantástica! Pois a comunidade exala uma espiritualidade viva e cheia de significado e praticam os laços comunitários e sociais num nível raro de se encontrar! Fui muito bem acolhido por todos, tanto pelos adultos como também, e principalmente, pelas crianças!!

 blog
Conheci cada pedacinho da Morada, participei de alguns rituais com os integrantes e conheci um pouco da cultura e costumes desse lugar que cheira a paz.

Fizemos a oficina de frevo com as crianças ao ar livre, sobre o gramado. Foi um momento mágico. Senti uma alegria muito grande de estar ali, apresentando o que amo àquelas crianças que, como a comunidade em si, nunca haviam tido contato com o nosso ritmo Patrimônio da Humanidade. Conversamos sobre o frevo, nos alongamos e fomos treinando alguns dos passos. Acima de tudo, nos divertimos e rimos bastante!! Ao final, até os adultos, que estavam em reunião, compareceram e prestigiaram as crianças dançando e arriscaram alguns passos com a gente, fechando tudo numa linda roda de ciranda ao som do frevo-de-bloco!!

Esse dia que passei na Morada foi, sem dúvida, uma vivência incrível que ficou guardada na minha memória! Na verdade, o próprio fato de eu ter ido conhecer essa Comunidade foi uma experiência muito maior do que o fato de eu ter ido dar uma oficina. Foi tudo muito bonito!

blog (FREVO)
Gratidão a todos vocês, em especial às crianças, que confiaram em mim me acolheram tão bem!!
Gratidão, gratidão, gratidão!!

Um xero pra todos!!!

Victor Flávio Santana de Arruda
Servidor público na Justiça do Trabalho – morador do Recife

Anúncios

Confira a programação de atividades da CoMPaz para o segundo semestre.

JULHO

04/07 – Muzunguê de ṢàngóIMG_0401

09/07 – Participação no FISL – Fórum internacional do Software Livre

17 a 19/07 – Colônia de Férias dos Adultos

19/07 – Festa Julhina

25/07 -Ṣirè de Akin Madan

AGOSTO

01/08 – Muzunguê de Obaluaiye

15/08 – Labirinto dos 7 Caminhos

SETEMBRO DSCN0463

05/09 – Muzunguê Ibeji

13/09 – Jardinação

Brincando CoMPaz

OUTUBRO

03/10 – Muzunguê Yabás D’Águas

Brincando CoMPaz

31/10 – Cha dos Amigos CoMPaz

NOVEMBRO _DSC0065

07/11 – Muzunguê Yansã

19/11 – Vivência Kilombola

DEZEMBRO

05/12 – Muzunguê Limpeza final de ciclo

12/12 – Festa CoMPaz

21/12 – Início do Retiro

IV TERREIRO DE CHÃO BATIDO

Comunidade Morada da Paz e Ponto de Cultura Omorodê convidam para o IV TERREIRO DE CHÃO BATIDO

Primeiro, é o chamado da boca no ouvido. E, vem quem sente ecoá-lo no OKAN-coração. O tambor expressa a força do encontro entre Orun e Ayie –NHANDERU-PATCHAMAMA (o Céu e a Terra) escutando o batuque no compasso de um coração. A saia rodada gira. A roda canta e bate palmas saudando com devoção e encantamento o anuncio de REencontros.


Segundo, e assim vai tomando forma – Pessoas e Eboras (ANJOS-ORISHAS) – celebram em unidade e gratidão seus saberes e fazeres no TERREIRO DE CHÃO BATIDO.
UM momento que todos nós somos fortes em nossa diversidade (Povo Negro-Povo Indígena e todos os outros povos que atenderem o chamado do coração) – somos Muntu (Humanidade). É como “o semba do mundo calunga batendo samba em meu peito…” Kawo Kabiecile! Kawo! Okê arô, oke!!!

Quero ser seu tambor, sua voz, seu sorriso, seu olhar, a luz das estrelas. A alma de cada folha.

Quem somos nós no Terreiro de Chão Batido?! Somos …
– Ipade (rodas de conversas ao pé do BAOBÁ), contando e ouvindo nossos itans;
– Comida sagrada sendo partilhada desde o seu preparo pelas Yás;
– Dança que expressa o AȘξ‛;
– Canto que evoca orin (rezos cantados);
– Abraço, saudação

terreiro 2015

Assim é o TERREIRO DE CHÃO BATIDO!

Como vestir: Roupa clara ou branca

O que trazer:
Para partilhar: frutas e algum doce
Para trocar: objetos; elementos.
Para expor: artesanato, poesia, instrumentos, dança, cantos

Como Chegar:
Ônibus (rodoviária de Porto Alegre, Box 2, empresa Fátima, linha Taquari-passagem até entrada de Montenegro, custo R$ 9,15 s/seguro- descer na entrada do Benfica primeiro refúgio após passar o Posto de gasolina ALE-informar ao fiscal-cobrador ou motorista para descer na Comunidade Morada da Paz)
Carro (vindo do sentido POA-Lajeado- pela Rodovia do Parque (Br 448) e entrar para (Br 386) na placa que indica a direção ao Pólo Petroquímico- seguir pela (BR 386) até o KM 410- Primeiro refúgio depois do Posto de Gasolina ALE- entrar a direita na placa COMUNIDADE MORADA DA PAZ)

Aprendizado e alegria na Colônia de Férias 2015

Foi intensa e linda a  7ª edição da Colônia de Férias Curumin O-Madê. Aconteceram muitas trocas de conhecimento e alegrias entre as crianças e educadores, envolvendo participantes de Triunfo, Montenegro, Porto Alegre, Guaíba e Imbé.

chuva de luz

equipe eco educativa

A RESOL – Rede de Envolvimento Solidário e a Rede de EcoEducadores da CoMPaz auxiliaram na organização das atividades. Cuidadosos com a recepção e acomodação das crianças, harmonização de espaços das vivências, no preparo da alimentação vegetariana e equilibrada, na proposição de oficinas educativas e recreativas, as duas redes, juntamente com os moradores da Comunidade Morada da Paz e outros educadores voluntários que atenderam ao chamado para envolver-se, garantiram o sucesso de mais uma Colônia de Férias Curumin O-Madê.

abraço matinal

alimentação vegetariana

Abraço matinal pra começar o dia com as melhores energias e amor. A alimentação ao ar livre, ao pé da grande árvore ancestral  foi preparada com carinho e cuidado pra garantir o bem estar dos participantes. A alimentação, na CoMPaz é tratada como um rito de celebração e agradecimento à Mãe Terra.

alongamento oficina de dança

Alongamentos e exercícios de expressão e consciência corporal, propostos por Daysi e Álvaro, deixam as crianças preparadas para as vivências do dia!
capoeira  dança afro

A capoeira angola fez parte dessas vivências propostas. Kyzzi e Henrique estimularam a roda e compartilharam seus conhecimentos  sobre a capoeira. Berimbaus, chocalhos, palmas e cantoria embalam a ginga, os rabos de arraia, os AU’s, meias luas e outros movimentos de resistência e alegria!  A vivência de dança tribal, orientada pela educadora Mahira, estimulou a reflexão sobre a ancestralidade.

maracatu (3)  maracutu estandarte   ,

Na vivência de Maracatu, os educadores Carol e Gui  mostraram toques e apresentaram os instrumentos. Com a ajuda dos o-madês e a orientação dos educadores, todos tiveram a experiência de tocar alfaia, xequerê, caixa, gongue, ganzá, e sentir a força da batida do maracatu na apresentação do grupo O-madê de Pijama, da CoMPaz.

ciriculo do fogo contação de história

Ubuntu – Sou quem sou, pelo que nós somos. As rodas no círculo do fogo e na contação de itãs são um momento de aprendizado importante, onde todos tem a possibilidade, e são estimulados, com a doçura das palavras de Yashodhan, a olhar-se e partilhar afetos.

oficina hortahorta de todos nós

A Horta de Todos Nós tem a proposta de cultivo coletivo, sem agrotóxicos, com cantos de agradecimento e respeito à Mãe Terra. Baogan Rogério e Seu Pedro, com ajuda de outros educadores, como a Bruna, e dos o-madês (crianças) moradoras da ComPaz, criaram os canteiros da Colônia de Férias.

oficina encadernaçãomosaico

As educadoras Luana e Yasmine compartilharam seus conhecimentos e sensiblidades; propuseram oficinas de arte e criatividade, onde as crianças fizeram papel reciclado, encadernação, mosaico e  pintura em papel. A pintura no rosto transformou os o-madês em guerreiras e guerreiros.

IMG_0361

IMG_0357

Não poderia  faltar o banho de açude, que neste ano ganhou uma novidade muito divertida. Uma oficina de construção de prancha  de surt com garrafas pet, que a gurizada adorou! Sempre sob o olhar e cuidado dos adultos, os o-madês se refrescaram buscando o equilíbrio na  prancha, cada um do seu jeito.

IMG_0293

IMG_0256

Pra lembrar que fazemos parte de um “todo” muito maior do que estamos habituados a ver, a educadora Camila propôs vivência de observação das estrelas e oficina de confecção de uma nave espacial.

IMG_1125oficina de reciclagem  e arte

E aconteceu também o cortejo em defesa a todos os seres, pra lembrar que o meio ambiente somos todos nós, com faixa e cantoria. Cacau e Verinha levaram a mensagem na faixa.

em defesa do ambienteIMG_0401

Bioconstruída, acolhedora e viva! A Casa Bio foi um dos espaços onde aconteceram muitas das oficinas.

expressão corporal gentes flizes  

Foi montada biblioteca ao ar livre, um espaço de leitura e contato com livros infantis especiais, onde os povos negros e indígenas são protagonistas das HIstórias. Muito atentas, as crianças se concentraram na oficina de sensibilização musical.
leitura ofic musicalidade

Maristela trouxe pro território da CoMpaz uma tartaruga, que agora vive nas proximidades do lago. As crianças criaram os cascos de tartaruga, moldados de papel, que depois foram pintados e expostos na casa bio.  A  educadora aproveitou a oficina criativa pra conversar com as crianças sobre os seres que vivem na água doce e na água do mar.

oficina de máscara  tartaruga

Foi um encontro intenso. Foram promovidas também as oficinas de criação de brinquedos antigos. As crianças fizeram seus próprios saquinhos do jogo “cinco marias”, costurando sob orientação da Carol. Kizzy mostrou como fazer, contou a histórias das bonecas e encantou com as abayomis. Que venham muitos outros encontros preciosos assim!

IMG_0366IMG_0196

Nossa gratidão a todxs que contribuíram para o êxito da 7ª Colônia de Férias Curumin O-Madê!! ❤

colonia de ferias redes

Abayomi: Uma História Contada entre Tecidos e Dedos

A Comunidade Morada da Paz /Ponto de Cultura Omorodê aprovou o projeto  Abayomi: Uma História Contada entre Tecidos e Dedos  no edital Ideias Criativas da Fundação Palmares.

O projeto prevê o desenvolvimento e articulação de espaços de troca de conhecimentos orientados por atividades “transformadoras” que envolvem a produção, criação e difusão de conteúdos culturais, multimídia, especialmente nas dinâmicas de linguagens alternativas de mídias livres digitais, estimulando ações de fortalecimento de redes colaborativas/coletivas de conhecimento de cultura digital junto às comunidades negras tradicionais e remanescentes de quilombos do RS,  em interface com as questões do reencontrar e do recontar de nossas identidades históricas de maneira lúdica.

Dentro do projeto será estimulado ainda o protagonismo sócio-ambiental, preservação e transmissão da memória cultural afro-brasileira, do conhecimento etnobotânico e da preservação ambiental no RS, ressignificando estes conteúdos em novas tecnologias de comunicação com ferramentas de software livres.

tecnologia e tradição ancestral afro

O que é a Cultura Digital

“Parte da ideia de que a revolução das tecnologias digitais é, em essência, cultural. O que está implicado aqui é que o uso de tecnologia digital muda os comportamentos. O uso pleno da Internet e do software livre cria fantásticas possibilidades de democratizar os acessos à informação e ao conhecimento, maximizar os potenciais dos bens e serviços culturais, amplificar os valores que formam a nossa  cultura, e potencializar também a produção cultural, criando inclusive novas formas de arte.”

Pretendemos contribuir na compreensão da tecnologia digital como ferramenta de democratização de acesso ao conhecimento, diante do cenário de desmantelamento dos saberes afro-comunitários, reflexo de um contexto que associa a história de invisibilidade e opressão, fruto da convergência entre capitalismo, racismo e dominação dos meios de comunicação pelas elites brasileiras.

Em parceria com a Rede Mocambos, acreditamos na  importância de registrar a memória cultural histórica e identitária do povo negro ocultada das populações mais jovens, utilizando ferramentas de linguagem que dialoguem com os mais jovens e se tornem instrumentos de empoderamento étnico, aprimorando o olhar sobre a imagem da identidade negra construída socialmente.

Oficina de abayomis na morada

No limiar do Sagrado e do Profano, a Boneca Negra ABAYOMI é o registro da luta, história e memória da diáspora negra deste lado do Atlântico. Abayomi significa aquele que traz felicidade ou alegria; encontro precioso, nos fazem refletir sobre a identidade e a memória cultural afro-brasileira. Escravizados, nos navios em viajem ao Brasil, as mulheres rasgavam a barra da saia e faziam abayomis para as crianças.

Esse projeto se constrói no fio condutor do brincar, do olhar, do reencontrar e do recontar de nossas identidades históricas. Diferentes linguagens e expressões pretendem salvaguardar o patrimônio cultural, sócio educativo e significar a produção de diferentes e novos sentidos de existir entre os jovens participantes e suas comunidades.

Texto, foto e Ilustração de Vania Pierozan

pAsSaNdO a LiMpO!

Namastê Odirê! Muito se realizou e seguimos na luta realizando, partilhando e expandindo nossos sonhos e projetos

As O-madê da Comunidade Morada da Paz com sua força realizaram expedição a pé ao Templo Budista de Três Coroas caminhando a pé e carregando na mochila muita força, alegria, determinação e fé. Tudo vale a pena quando a alma não é pequena! Chuva de Luz CoMPaz!

As O-madê da Comunidade Morada da Paz com sua força realizaram expedição a pé ao Templo Budista de Três Coroas caminhando a pé e carregando na mochila muita força, alegria, determinação e fé. Tudo vale a pena quando a alma não é pequena!
Chuva de Luz CoMPaz!